Compound Adesivo

O que é o Compound Adesivo (epóxi estrutural)

O Compound Adesivo é um epóxi estrutural bicomponente: ele vem com Componente A (resina) e Componente B (endurecedor). Quando você mistura os dois na proporção correta, ocorre uma reação química que transforma a mistura em um material muito aderente e resistente, capaz de ancorar/colar peças de aço ao concreto com excelente desempenho.

Tradução prática: ele funciona como uma “solda química” (não é solda de verdade), criando uma ligação firme entre o concreto e o aço se a preparação e a aplicação forem bem feitas.


Onde ele é usado na prática (aço no concreto)

É muito comum usar para:

1) Fixação/colagem de peças metálicas em concreto
  • Chapas, cantoneiras, suportes, bases de guarda-corpo, suportes de portão
  • Reforços metálicos em vigas/pilares (em reparos e reforços, quando especificado)
2) Ancoragens e “chumbadores” (dependendo do caso)
  • Fixar barras, pinos, parafusos e inserts em concreto (quando o sistema/obra permite)

Importante: para cargas altas/estruturais, o dimensionamento é de engenheiro (não é só “colar e pronto”).

3) Reparos estruturais e colagens “concreto com concreto”
  • Colagem de concreto novo sobre concreto antigo (ponte de aderência epóxi)
  • Reparos em quinas, bordas, degraus, consoles, etc.
4) Colagem de outros materiais

Na própria embalagem ele indica fixação em concreto, ferro, madeira, pedra, cerâmica, vidro e plástico — mas o “rei” do uso em obra pesada costuma ser concreto + aço.


Principais características (por que ele segura bem)

  • Aderência muito alta no concreto bem preparado e no aço limpo/áspero
  • Alta resistência mecânica (na embalagem aparece referência de resistência alta, inclusive compressão acima de 50 MPa, conforme rotulagem)
  • Média fluidez: espalha bem com espátula/colher de pedreiro, preenche irregularidades pequenas e “molha” a superfície sem escorrer tanto
  • Cura química (não depende de “secar ao ar” como cola comum): endurece e ganha resistência com o tempo
  • Boa resistência à água depois de curado (mas não gosta de água/umidade durante a aplicação, dependendo da condição)

O ponto mais importante: preparação da base (90% do resultado)

Se tiver falha, quase sempre é aqui.

No concreto
  1. Concreto firme e são: nada de parte solta, esfarelando ou “oco”.
  2. Remover nata de cimento, poeira, pintura, óleo desmoldante, graxa.
  3. Se puder, criar rugosidade (lixar, escarificar, apicoar leve). Epóxi gosta de “morder” superfície áspera.
  4. Limpar de verdade: aspirador/escova + pano. Poeira fina é inimiga mortal da aderência.
  5. Base seca é o ideal (umidade e epóxi às vezes brigam). Se o concreto estiver “suando” ou com água, a colagem fica arriscada.
No aço (ferro)
  1. Tirar tinta solta, ferrugem e carepa.
  2. Deixar o aço limpo e áspero (escova de aço, lixadeira, jateamento se tiver).
  3. Remover óleo/graxa (desengraxante adequado).

Aço “engordurado” é igual tentar colar em sabão.


Mistura correta (A + B) sem erro

  • Misture o kit inteiro quando possível (normalmente a proporção já vem “casada”).
  • Misture até ficar cor totalmente uniforme, sem “rajadas”.
  • Raspe bem as laterais e o fundo do recipiente durante a mistura.

Atenção: depois de misturado, existe o tempo de vida da mistura (pot life). Passou disso, ele começa a “puxar” e perde trabalhabilidade e desempenho.


Como aplicar (passo a passo de obra)

  1. Separar ferramentas: espátula/colher, recipiente, luvas, pano, escova/aspirador.
  2. Misturar A + B até homogeneizar.
  3. Aplicar no concreto e/ou na peça metálica:
    • Pode ser em camada (tipo “manteiga” com espátula)
    • Para chapa/placa metálica: aplique e pressione para expulsar ar e garantir contato total
  4. Assentar e alinhar a peça rapidamente.
  5. Imobilizar (sargento, escora, parafusos provisórios) até pegar resistência.
  6. Não mexer/forçar até a cura inicial.

Macete: epóxi estrutural não gosta de “vão”. Se tiver buraco grande ou superfície muito irregular, você precisa regularizar (ou usar técnica/produto adequado de preenchimento) para garantir contato bom.


Cura e resistência: quando pode mexer?

A cura depende de temperatura e massa aplicada:

  • Em clima quente, costuma “pegar” mais rápido.
  • Em clima frio, demora mais.

O mais seguro é pensar em:

  • cura inicial: segura a peça sem mexer
  • cura final: atinge resistência alta para carga

Se for algo que vai receber esforço (portão, suporte, tração/cisalhamento), trate como serviço técnico: respeite o tempo de cura indicado no rótulo/ficha do produto antes de carregar.


Observações e limitações (o que o pessoal esquece)

  • Não substitui cálculo: colar aço em concreto pode ser “forte”, mas carga, vibração, alavanca e fadiga exigem projeto.
  • Ambiente externo: epóxi pode sofrer com UV (sol) ao longo do tempo se ficar exposto. Em muitos casos, resolve com proteção/pintura depois de curado (quando compatível).
  • Movimentação: se a junta/peça trabalha (dilata, vibra muito), a colagem pode trincar/descolar. Às vezes precisa solução mista: adesivo + fixação mecânica.
  • Superfície úmida/contaminada = descolamento.
  • Mistura mal feita = pontos que não curam (fica “melado” para sempre).

Segurança (sem frescura, mas com cuidado)

  • Use luvas (epóxi irrita pele).
  • Evite contato com olhos e inalação em local fechado.
  • Se for base solvente/cheiro forte, ventilação é obrigatória.

Consumo/rendimento (referência da embalagem)

  • conteúdo 1,000 kg (kit)
  • rende até ~0,55 m² por 1 mm de espessura (referência do rótulo)

Isso ajuda a planejar: quanto mais espessa a camada, menor área cobre.

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